Black Friday na loja com IA: promoção que dá lucro, não prejuízo
Faltam 7 semanas pro dia 27 de novembro. Numa tarde com a IA você escolhe o que entra, calcula o desconto máximo de cada peça e deixa os avisos prontos — sem vender abaixo do custo.
Neste texto
Primeira semana de dezembro do ano passado. A Black Friday tinha sido a melhor sexta do ano: R$ 4.280 num dia, fila no caixa, minha mãe e as meninas sem sentar. Dormi me sentindo a rainha do bairro.
Aí fui fechar o mês. A jaqueta jeans, estrela da promoção com 40% de desconto, vendeu 23 unidades. Só que ela me custava R$ 112 com frete, imposto e maquininha — e eu vendi cada uma a R$ 107. Paguei R$ 5 do bolso pra cada cliente levar. A melhor sexta do ano tinha uma torneira pingando dinheiro embaixo do balcão.
Gente, desconto errado é isso: loja cheia e você pagando pra vender.
Este ano a Black Friday cai em 27 de novembro — faltam exatas 7 semanas. Promoção que dá lucro se monta agora, não na véspera, no desespero. Em julho testei esse método na liquidação de inverno: uma tarde com a IA, nenhuma peça abaixo do custo.
Neste texto você vai sair sabendo: escolher o que entra na promoção, calcular o desconto máximo de cada peça sem prejuízo, gerar cartaz, post e mensagem de WhatsApp com regra clara, e casar o estoque com a promessa pra não ter cliente brava no dia 27.
O que você precisa
- Conta grátis no ChatGPT, de preferência no computador pra colar lista.
- Conta grátis no Canva, pro cartaz da vitrine.
- Sua lista de estoque: peça, unidades, quando chegou, quantas vendeu nos últimos 60 dias. Não tem? Uma folha de caderno e uma hora contando arara resolve.
- O custo de cada peça com frete, e o número do seu Simples (do contador). Se você montou a planilha do meu texto de preço, já tem tudo.
- Uma tarde. A minha foram 3 horas, com cafezinho.
Passo 1 — Escolha o que entra: promoção é pra peça parada
O instinto manda dar desconto no que mais vende. Segura esse instinto. Desconto existe pra transformar em dinheiro a peça que ocupa arara desde o outono. E a IA não tem apego por peça nenhuma.
Minha loja de roupas femininas de bairro está se preparando pra Black Friday. Vou colar minha lista de estoque com 4 colunas: peça, unidades, quando chegou e quantas vendi nos últimos 60 dias. Me diga quais estão paradas (chegaram há mais de 90 dias e quase não vendem), quais vendem bem e não precisam de desconto, e monte uma lista “entra na promoção” só com as paradas, da mais encalhada pra menos. Não invente peça que não está na lista. [colar a lista de estoque]
Na minha lista de julho saíram 14 peças paradas.
Meu plano era dar desconto no vestido midi, o campeão de vendas, pra fazer barulho. A IA cruzou a lista: o vestido vende 9 por mês sem desconto nenhum. Quem precisava de socorro era a calça cargo, parada desde maio, 11 unidades e 1 venda em 60 dias. Dar desconto no que já vende sozinho é rasgar dinheiro.
Peça nova não entra: guarda pro preço cheio de dezembro.
Passo 2 — Calcule o desconto máximo de cada peça, sem prejuízo
Aqui foi onde a Black Friday passada me pegou. Desconto não se escolhe por número bonito. Se escolhe pelo que a peça aguenta — e cada uma aguenta um número diferente.
Agora calcule o desconto máximo de cada peça da lista “entra na promoção” sem eu vender no prejuízo. Vou dar o custo de cada uma já com frete. Imposto do meu Simples Nacional: [6%] sobre a venda (número do meu contador, não mude). Taxa da maquininha: [3,5%]. Mesmo na promoção quero pelo menos [R$ 10] de sobra por peça. Monte uma tabela com: peça, preço de etiqueta, custo total, desconto máximo em %, preço promocional arredondado pra terminar em 9 e sobra pra mim em R$. Se alguma peça não aguentar nem [10%], me avise em vez de forçar. [colar peças com custo e preço de etiqueta]
Na minha tabela, a calça cargo aguentava 30%. A blusa de tricô, 20%. E a jaqueta jeans, aquela, no máximo 25%.
Eu dei 40% na jaqueta porque minha margem era 35% e, na minha cabeça, os números eram quase vizinhos. Não são. A margem é o que sobra depois de pagar tudo; o desconto come a margem e, quando ela acaba, avança no custo. Com 40% eu entreguei o lucro inteiro e ainda paguei R$ 5 por peça, 23 vezes. Essa tabela existe pra eu nunca mais confiar na minha cabeça.
Se o desconto máximo sair sem graça (5%, 8%), a peça não entra: ou o preço de etiqueta estava errado desde o começo, ou ela vira brinde em compra grande.
Passo 3 — Gere os avisos: cartaz, post e WhatsApp com regra clara
Aviso sem regra clara vira briga no balcão. Os três textos saem de um comando só, com a mesma data e regra.
Minha loja de roupas femininas, [nome da loja], vai fazer Black Friday dia [27 de novembro, das 9h às 19h], com descontos de [20% a 30%] SÓ nas peças com etiqueta preta. Regra: [não vale pra coleção nova, só enquanto durar o estoque, troca em 7 dias continua valendo]. Escreva três textos repetindo data, horário e regra: um cartaz de vitrine com no máximo 8 palavras grandes e uma linha pequena com a regra; uma legenda de Instagram de até 5 linhas, tom de quem avisa as amigas; e uma mensagem de WhatsApp curta pra minha lista de clientes, sem parecer spam. Não use “imperdível”, “últimas horas” nem letra maiúscula gritando.
O texto do cartaz vai pro Canva: busque “cartaz black friday”, escolha um modelo limpo, troque o texto pelo seu e imprima em A4 na papelaria. Perguntei pro Heitor se precisava do Canva Pro (R$ 35 por mês, preço de agosto de 2026). Ele riu: pra cartaz, o grátis sobra.
A etiqueta preta foi ideia da minha mãe: cartolina pendurada só nas peças da lista do Passo 2. Cliente bate o olho e não discute.
No ano passado meu cartaz dizia “TUDO COM DESCONTO”. Tudo é tudo: cliente pediu desconto na coleção de verão que tinha chegado na terça, na frente de outras três. Tive que dar. Esse ano a regra vai escrita nos três lugares. Regra clara não espanta cliente — regra nenhuma é que espanta o lucro.
A legenda do Instagram eu programo pra semana do dia 23. Se você ainda monta post um por um, meu jeito está no texto de posts do Instagram.
Passo 4 — Case o estoque com a promessa
O passo mais rápido e o que mais evita vergonha: conferir se você TEM o que anuncia. Anunciar peça com 2 unidades pra 80 clientes é fabricar gente brava.
Vou colar a lista final da promoção com a quantidade de cada peça. Marque todas que têm menos de [5] unidades. Pra essas, reescreva o anúncio incluindo a quantidade real, no estilo “só 2 unidades, até acabar”, e me diga quais eu não devo colocar no cartaz nem no WhatsApp, só deixar como surpresa na loja. [colar lista com quantidades]
Na liquidação de julho eu anunciei a blusa de tricô no post e tinha 2 unidades. Nove clientes perguntaram, sete ouviram “acabou”. Uma me mandou: “vocês anunciam o que não têm”. Doeu porque era verdade. O Passo 4 nasceu dessa vergonha: peça com menos de 5 unidades ou sai do anúncio ou vai com “até acabar” escrito do lado.
O resultado
A prova veio em julho, na liquidação de inverno, montada exatamente assim.
Os R$ 2.140 eram dinheiro dormindo em arara. Pra Black Friday eu repito a receita, começando pela contagem de estoque nesta semana.
Promoção boa não é a que lota a loja. É a que lota a loja e sobra dinheiro.
Dona de uma loja de roupas femininas de bairro — física, Instagram e WhatsApp. Duas funcionárias e a mãe ajudando. Personagem editorial do forfun.gg — saiba como funciona.
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